Escrever, falar, pensar

 

O leitor já deve ter percebido que escrevo demais. Está claro, claro como água. Com essa informação verídica em mãos, pode muito bem deduzir que provavelmente falo ou tendo a falar demais, e seguramente penso demais.

 

Mas tenho orgulho de dizer que isso não é mais verdade. Deixei de ser um falastrão.

 

 

Falar demais me incomodava bastante. Pensar demais também incomoda, embora menos. Tanto que gostaria de construir ambas sentenças no pretérito. Falar demais é uma característica das pessoas chatas. E pessoas chatas tendem a ser mal-sucedidas em alguma área de suas aspirações pessoais. Sejam quais forem. Por este motivo, precisam monopolizar a atenção da coletividade – usando-a como que para preencher uma profunda aflição – ou mesmo vazio interior. Isto é, se já não bastasse a chatisse ser um mal em si mesmo, ela ainda sinaliza algo mais, um fastio subjacente, que é sua causa.

 

 

Este blog melhorou bastante minha situação e deixou-me alguém menos chato. Menos tagarela. E isto pelo seguinte motivo. Escrevendo se desopila a massa de pensamentos mantida represada no cérebro. Descarrega-se as cóleras no papel (ou na caixa de texto). Assim preocupando-se menos. E assim conduzindo-se com mais leveza no cotidiano, nas interações face-a-face, tratando melhor os outros seres humanos.

 

Mas nem tudo são flores. Escrever demais implica uma dose acima do normal de pensamento sistemático – e quanto a isso pouco se pode fazer. Não sou tããão pretensioso. Mas mesmo aquele que se atém exclusivamente aos textos, fechado em sua casca de noz, está melhor que os tagarelas. E isto pela seguinte razão. Enquanto falar demais te torna um chato e pensar demais um possível lunático, escrever demais te torna somente um provável solitário. Veja bem. É impróprio acusar de chato alguém que escreve demais, pelo menos nas circunstâncias de um blog. Pois lê quem quer. Felizmente (para os leitores, especialmente as leitoras), não temos poder para obrigar as pessoas a lerem nossas mensagens, digerirem nossas ideias e aturarem nossas idiossincrasias. Assim, acusar o pobre blogueiro de chato na verdade só denuncia um leitor masoquista. Por isso, estou melhor escrevendo do que tagarelando. Ademais, escrevendo nos expomos à interessante possibilidade de identificação com o leitor, uma identificação intersubjetiva, cumplicidade ontológica, algo que produz e dissemina compreensão mútua e, consequentemente, felicidade.

 

E ainda creio ter minha meia-dúzia de leitores.

 

 

hummm... pensar ou não pensar, eis a questão

 

 

Além do mais, uma amiga, pela qual tenho imensa estima, disse para eu liberar minha mente. É, é isso o que farei. Não se pode ignorar as instruções das amigas, não é mesmo? Transformarei em palavras cada milímetro cúbico de sinapses nervosas trancafiadas nesta cabecinha aqui. E nem seeempre escrevendo demais…

 

Por hoje é “só”. É bom ser relativamente breve de vez em quando. É, homo sapiens também tem posts assim!

 

Até mais.

 

F.

 

P.S.: E não, não, não! Meus leitores e minhas queridas leitoras não são masoquistas. São meus e minhas fiéis companheiros/as nesta odisseia maluca chamada vida.

 

5 comentários sobre “Escrever, falar, pensar

  1. Eu não acho, mas isso definitivamente afugenta alguns leitores (preguiçosos) em potencial. Eu gosto de ser econômico com as palavras, porém não tenho o dom de sintetizar as minhas orações com maestria, ao contrário de você.

    Obs.: “pretensioso” se escreve com S, porque deriva de “pretensão”. Assim como é fácil descobrir que analisar se escreve com S graças à palavra análise. E dá-lhe mais chibatadas no lombo!

    =P

  2. Quê? Onde cê viu isso aí? Lá no texto tá tudo certinho. Supimpa. Cem por cento. Pode ver.

    (Hahahahahah…)

    Jesus Cristo, meu Senhor, salve a minha alma, por favor.

    • Mereces um Oscar, isso sim.
      Obrigado pelo olho cirúrgico; é assim que tem de ser.

      Salve, salve o Edit… o que seria do mundo sem o Edit…

      Salve!

  3. Não nego que para ler tudo que vc escreve demanda um certo esforço, mas por outro lado também invejo essa sua capacidade. E poderia ser pior, poderia não ter imagens, estou adorando o significado que vc está atribuindo a elas rs. E depois de alguns poucos posts lidos, reconheço q não sei nada sobre vc.

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