I did it!

 

Olá.

 

E com licença.

 

Este post será “um pouco” idiossincrático. Não que os outros também não tenham sua dose de idiossincrasia – mas neles pelo menos me escondo atrás das aventuras de outros seres humanos, além de guarda-chuvas, folhas de árvores, Chopin, linhas de instabilidade, Trick Pony, gordinhos fofos, velhinhas, Roy Batty, samyama, mamões…

 

Venho, por meio desta mensagem, notificá-los que terminei de sortir e organizar as 10 710 imagens que havia jurado botar em ordem, neste próprio blog, diante dos olhos de minha meia-dúzia de fiéis leitores. (Tomara que sejam leitoras.)

 

 

ho ho ho, I dit it!

 

 

Aliás. Confessarei algo chocante agora. Não sei se deveria fazê-lo. Pode revelar parte significativa do meu self – que chamo de “campo de intimidade absoluta” (ou AT Field, para os aficionados em Evangelion). E, que deus nos acuda, até eu tenho receio do meu self. Bem. Respiração. Mentalização. Suspiro. Certo. Lá vem…

 

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TENHO 92 347 IMAGENS NO MEU COMPUTADOR.

 

 

 

Sim. É verdade. A mais pura verdade. Não posso mais esconder. Em 13 anos de internet, acumulei 92 347 imagens. Vou soletrar: noventa e duas mil trezentos e quarenta e sete. Tenho imagens de praticamente qualquer coisa em meu computador. Talvez até alguma foto sua, meu querido leit… ops, não escrevi isso, ops.


A mais antiga delas data de 1997. Uma elfa loira chamada Deedlit, saída de um anime (i.e., desenho japa) de fantasia medieval, chamado Record of Lodoss War. O que denuncia que já fui jogador de RPG. Bem entendido: fui.

 

(Talvez isso também denuncie algo mais, mas não levarei a questão adiante.)

 

 

 

 

Mas bem, o trabalho ainda não está cem por cento. Ainda me falta revisar a estrutura de pastas e depurar as redundâncias. Percebo haver várias delas. Há pastas que meio que se sobrepõem; temas que se emparelham, distanciando artificialmente imagens que deveriam estar juntas. Uma imagem A poderia estar em umas três pastas diferentes. Por exemplo. O estilo visual “campestre”. É arquitetura ou paisagem? Pode ser os dois, não é mesmo? Quando é arquitetura campestre e quando é paisagem campestre? Ah, quando tem casinhas, edifícios, paisagismo, daí é “arquitetura”. Quando é art nouveau, com aquelas formas orgânicas, então, fácil, fácil. Boto lá, na pasta “arquitetura”. E quando é uma paisagem natural – uns campos de flores em meio a colinas, por exemplo – boto na pasta “campestre”, em temas paisagísticos. Porque paisagem não é arquitetura. Jaz nesta distinção aquela oposição clássica e inapelável entre “natureza” e “cultura”. Mas e quando tem aquela bendita casinha no meio do nada, aquele estábulo, aquela ponte, aquele gazebo, aquela interferência humana, aquele ruído, aquele caos, estragando a pureza da lógica matemática?

 

 

paisagem ou arquitetura? quem sou eu…

 

 

E mesmo se o tema for facilmente discernível, ainda ocorre que se trata de coisas diretamente relacionadas: arquitetura, art nouveau e paisagens campestres. E, daí, elementos complementares ficam a quilômetros, digo, a vinte pastas de distância uns dos outros. Comé que o cérebro vai lembrar de checar as duas ou três pastas, quando na verdade está pensando nas mesmas ideias e impressões subjacentes, que estão na base da percepção – e do apreço – tanto das paisagens campestres como da arquitetura campestre? Vai acabar olhando só uma delas, esquecendo da outra, assim limitando o potencial de expressão.

 

Tenho uma ilustração de uma mulher com roupas da década de vinte. Bem estilo Vogue. É um desenho. Boto em “artes gráficas” ou na pasta dedicada à moda? Ou pior. Trocentas imagens de naves futuristas, paisagens planetárias, sabres de luz e outras coisas nerds. É tudo CG, ilustração vetorial ou desenho. E aí? Coloco tudo dentro de uma pasta dedicada, de “ficção científica”, ou nas pastas específicas de CG, ilustração vetorial ou pintura? No primeiro caso, serei obrigado a lembrar da pasta “Montagens e computação gráfica” quando estiver atrás de CGs; no segundo, ao surfar pelas pastas de arte digital, terei de lembrar da bendita pasta dedicada a sci-fi para encontrar meus sabres de luz.

 

Tenho uma pasta para flores e plantas. Mas há flores dispersas em campos que me obrigam a taxá-las de “paisagem campestre”. Afastando-as de suas irmãs, causando tragédia e rebuliço em suas famílias.

 

Tem uma praia. Mas vem com cidade junto. Se o foco é a cidade, sendo a praia aquele plus para embelezar o cartão postal, preciso colocar essa imagem em “cityscape”, dentro de “arquitetura”. Pois cidade litorânea também tem arquitetura, não? Mas, então, quando estiver atrás das praias, em sua pasta exclusiva, estarei discriminando aquelas acompanhadas das benditas habitações humanas. (São uns parasitas mesmo, esses humanos!) Coitadas das praias urbanas. Espero que não protestem queimando o meu HD.

 

E assim, novamente, limitando a capacidade de expressão. Claro, tudo estará resolvido se formos um gênio com memória fotográfica. Como o senhor Grigori Yakovlevich Perelman. Não é o meu caso.

 

 

o caaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaos

 

 

Em suma, fatalmente haverá pinturas fora da pasta de pinturas; praias fora da pasta de praias; montanhas fora de montanhas; pessoas fora de pessoas, e por aí vai.

 

Não, leitor. Não dá. Não dá pra botar tudo junto. Daí voltaremos à estaca zero, ao caldo de entropia em que as coisas naturalmente se encontram – e que tendem a cada vez mais se encontrar. Persiste que são coisas diferentes. Persiste que arquitetura é uma coisa, fotografia de natureza é outra. A sensação gerada ao vermos uma paisagem campestre e uma casa em estilo campestre, ou uma casa em estilo campestre em meio a uma paisagem campestre, é semelhante. Na mente, as coisas estão integradas, gerando sensações similares ao vermos coisas distintas, porque o cérebro as interpreta segundo estruturas neurais semelhantes. Lá dentro, tudo está conectado.

 

É muito, demais, extremamente difícil classificar as coisas porque o processo de classificação não corresponde à maneira como as coisas estão integradas na mente – nem ao modo como estão complexamente dispersas na realidade. A classificação, pelo menos com os instrumentos que temos atualmente, segue uma lógica de exclusão, em que x é não-y. Sendo, por esta razão, conjunto A, composto por x, necessariamente diferente de B, composto por y. E assim sucessivamente, para tudo que classificarmos. Entretanto, na realidade as coisas muitas vezes são xyzABC ou Azxπ∑α ou £µaxBV. Ou seja, as coisas se sobrepõem, justapõem-se, envolvem-se num grande caldo de obscenidade de arrepiar o mais liberal dos matemáticos.

 

 

Hooooooooooooly Toledo!

 

 

Vou ter de elaborar uma planilha para estabelecer as correlações. O ideal seria um software gráfico, gerando nodos num espaço em 3D, integrando informações quaisquer, de texto a sons, música, imagens e palavras.

 

Apesar de todas as mazelas, farei uma revisão para evitar as redundâncias mais graves. Falta, portanto, depurar a classificação nas zonas obscuras. Nestes casos, tentarei me colocar no lugar do fotógrafo e do artista e imaginar qual foi o tema da obra. Sendo o mais preciso possível para definir e distinguir os temas. E depois usar a planilha para conectá-los em função de sua proximidade semiótica, da mesma forma que um dicionário liga um termo a seus sinônimos por sua proximidade semântica.

 

Botei ordem no caos. Agora é preciso botar ordem na ordem.

 

A odisseia continua.

 

Mas estou muito, muito feliz! Consegui dar jeito à minha pasta de imagens. Deixei tocando Chopin e sem querer sussurrou a Marche Funèbre aqui no sistema de som, mas estou muito feliz mesmo assim.

 

Até.

 

F.

 

P.S.1: A redundância em “mas vem com cidade junto” foi de propósito. Ahá!

P.S.2: Será que eu já disse que deveria ser a realidade a nos dizer o que ela é? “Sou uma paisagem campestre, muito prazer.”

 

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