Klimt (e a entropia) está em todo lugar…

 

 

A foto a seguir foi tirada no Shopping Mueller, Curitiba, em 11 de janeiro de 2011. É a vitrine da H.Stern. (Não há joias porque já eram onze e quarenta da noite; eu acabara de sair de uma sessão tardia de Tron.)

 

 

klimt e as joias...

 

 

É Tree of Life! Um dos elementos de Stoclet Frieze. Trata-se da obra máxima do pintor austríaco Gustav Klimt. Meu artista plástico favorito. Na hora me deu um êxtase agradável. Depois meio que pensei estarem vulgarizando o pobre Klimt, transformando uma das maiores obras da história da arte num pano de fundo para joias caríssimas, extraídas de algum país africano paupérrimo. Para estilizar a vitrine e fazer as dondocas se sentirem cultas e lisonjeadas com tanta sofisticação. OU assim se contribui para divulgar a grandeza de Klimt mundo afora, afinal, já vi Stoclet Frieze em lugares menos obscenos.

 

Grave bem a forma espiral daqueles galhos. Logo perceberás que essa forma de representar árvores está difundida por todas as partes. Pois é. É Klimt.

 

(Pensando bem. É difícil entender como o conceito de Tree of Life pode relacionar-se com joias. Então provavelmente estamos, de fato, perante um forte exemplo de deturpação.)

 

 

stoclet frieze, por gustav klimt

 

 

O fenômeno de difusão ocorrido com Tree of Life é um exemplo ideal do processo de difusão, reinterpretação e degeneração da informação, descrito pela cibernética.

 

As pessoas incorporam esses elementos e passam a reproduzi-los em outras representações visuais. Com o tempo, à medida que a incorporação e a reprodução tornam-se cada vez mais inconscientes, vai se perdendo o sentido original da obra, o “significado”, mantendo-se somente a forma, o “significante”. Então, novos significados vão sendo atribuídos ao objeto simbólico. Veja, que demais: mesmo que não haja qualquer grande deformação visual, mesmo que a forma e as cores do desenho não mudem, ele torna-se coisa completamente diferente. Basta que se perca e seja substituído seu significado.

 

Por exemplo: no hinduísmo, o símbolo da suástica representa estabilidade e solidez. No mundo ocidental, é associado ao nazismo, representando morte e destruição. A mesma forma pode representar coisas completamente diferentes, e seu significado muda através do tempo.

 

De mudança a mudança, da transformação de cada pacote de informação, cada elemento do corpo de significado, no longo prazo também as formas se perdem, sumindo por definitivo o elemento cultural em questão.

 

É o efeito da entropia no campo da cultura e da linguagem.

 

 

 

 

Portanto, é preciso conservar! Que se criem coisas novas, mas que sejam somadas às pré-existentes. Aumentando assim a riqueza do arcabouço cultural da humanidade. O que mais se vê por aí é contrabando, em que se expõe X como se fosse Y, assim conspirando para exterminar X da face da Terra…

 

A imagem da árvore é também um elemento recorrente em todos os tempos e culturas. Acredito que seja uma representação filosófica generalizada. Um dos melhores exemplos visuais para representar a natureza das coisas. Mas falarei disso em um outro dia.

 

Até mais.

 

F.

 

P.S.: Sim, este post furou fila. Mas estava aqui arrumando umas fotos e trombei com essa. E lembro ter tirado a foto justamente para postar aqui. Só que depois me esqueci, e este post quase caiu no esquecimento. Tá desculpado…

 

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s