Alguns comentários. Cotidiano, limões e algumas definições oportunas

 

 

 

De volta à toca, e dando um tempo às minhas “férias”. Não consegui resistir a comentar algumas coisitas. Vou enumerá-las, assim mantendo-me fiel ao meu fetiche matemático.

 

 

1) Neste exato momento estou tomando suco integral de limão. É, limão puro, sem aditivos. Sem água, sem açúcar. Limãozão puro no copo, saca. Hoje são sete. Já cheguei a dez. Só que os de hoje estão piores. Estão mais azedos que de costume. Minha barriga e meu corpo interior (não somente o físico) estremece logo que corto um limão. Bem, já bebi metade do copo. A outra metade está aqui na minha frente, olhando pra mim. O conteúdo cítrico no interior do copo parece zombar de mim. O canudo idem. Estou registrando estas letras e olhando para o copo. (Liguei a Tolomeo para iluminar meu oponente.) Nunca pensei que limões fossem osso tão duro de roer. Outro olhar. Olho para a tela e olho para o limão. Certo. (Respiração.) Certo. (Respiração.) Certo!!! [AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH…]

 

 

Tomei, rapá. Tomei tudo! Bwahahahaha…

 

 

[meudeusmeudeusmeudeusmeudeusmeudeus…]

 

 

[e o pior é que não posso tomar/comer nada para amenizar o sabor opressivo colado nas mucosas da minha garganta, pelos próximos 30 minutos.]

 

 

1.1) Não estou louco. (Eu acho.) Estou passando por um tratamento de choque para purificar o corpo e aumentar o grau de controle sobre a mente. (Bem, alguns acharão que estou louco.)

 

 

2) Só agora reparei que o copo que uso para me envenen… digo, purificar, com limão é do Pica-Pau. Era um copo de requeijão Latco. E o querido leitor sabe que a Latco vende seus requeijões nesses copos tosquíssimos. Daí, este é do Pica-Pau. Então, quando tomo meu elixir limoeiro, faço-o com a cara cínica do cínico Pica-Pau olhando pra mim, zombeteiramente. Ele me diz o seguinte: “Cumpádi, você tá f*****. Tenho pena do cê. Bota Choco-Milk aqui, vai. Choco-Milk, Choco-Milk, Choco-Milk…”.

 

 

2.1) Não deveria ter reparado nisso. Que engraçado, eu NUNCA havia reparado no Pica-Pau do meu copo. E eu que sou extremamente observador. Por que será. Hein. Por que será. Ah… Ahá. Porque eu detesto esses copos de requeijão. Especialmente esses com estampas. Sempre tive de usar esses copos de requeijão e sempre pensei: “é como vestir roupa de cama”. Um jeitinho, pra evitar comprar copos legais. Por isso, há uns dois ou três anos eu comprei uns copos legais. Digo, copos; não necessariamente legais, pois os legais mesmo são caríssimos; mas pelo menos COPOS DE VERDADE. Daí, quebrei todos eles. Exceto os de requeijão.

 

 

Portanto, voltei aos copos de requeijão, e por detestá-los suas formas e estampas são devidamente ignoradas pelo meu cérebro. Mobilizei involuntariamente alguns 50 mil neurônios para a tarefa exclusiva de bloquear os estímulos visuais oriundos destes copos, evitando que cheguem às áreas apropriadas do cérebro. (Devo ter perdido 0.000001% de inteligência por causa deste pequeno acerto.)

 

 

[Eu realmente só descobri isso agora. Eu realmente estava buscando a resposta quando comecei este tópico. É que a resposta já estava na ponta da língua.]

 

 

[Acho que me esqueci do que realmente queria dizer. Benditos limões. O que eu queria dizer? Lembrei, lembrei; o leitor não perdeu o seu tempo {eu acho}.]

 

 

3) Cheguei em casa hoje, às 21:40. Logo no hall de entrada, avistei uma aranha-marrom junto a um dos degraus da escada à esquerda. Lá em baixo, estática. Tipo, não é fácil notar uma aranhinha (era pequena) no cantinho da escada, em baixo, num hall de entrada, com todos aqueles estímulos e coisas mais importantes para ver e pensar, e na extremidade do campo visual, e especialmente quando estamos cansados. Mas, com o tempo, desenvolvi uma habilidade paranormal para detectar aranhas-marrom. Sério, P A R A N O R M A L. É uma coisa semi-mística. (É, talvez eu me orgulhe disso.) Bem, daí estava ela lá, minha comparsa aranha-marrom. (Tenho uma looooooooooooooooonga história com aranhas-marrom; dedicarei um post a isso algum dia.) Daí eu pensei: “vou testar meu spray de pimenta nela”. (Perdão aos pacifistas, mas eu não tenho pena de aranhas-marrom. Que vivam em paz – fora de meus aposentos.) Que inteligente, não? É, daí me aproximei e borrifei pimenta. Daí errei a aranha e acertei a parede. E também descobri que esses sprays espalham-se pelo ar, não se restringindo ao ponto de mira. Como a aranha não tem pulmões, bastou deslocar-se uns 5 centímetros. Já eu…

 

 

(Hahahaha…)

 

 

É, eu ri que me acabei; tossindo, é claro.

 

 

Minha obra foi a seguinte: a) manchei a parede do hall de entrada, portanto teria de limpá-la; b) não matei a aranha; c) teria de pegar o inceticida para fazer o trabalho, pois a aranha permanecia ao lado dos pingos de pimenta; assim, se fosse limpá-los sem removê-la ainda me arriscaria a tomar uma picada e ter necrose aguda nas mãos. Então, tive de subir até o apto., pegar um pano, Veja, Raid, descer, subir de novo (esqueci das chaves), descer novamente, borrifar veneno e limpar a parede. Mas a bendita pimenta continua no ar!!! O efeito é por área!!! A coisa toda se espalha!!! Que horror. (Minha garganta está meio irritada até agora.)

 

 

Bem, não façam nada disso em casa. (A utilidade deste tópico é justamente esta; avisá-los sobre as peripécias da irracionalidade do Homem. Ou melhor, deste homem.)

 

 

4) Machuquei o punho esquerdo com alguma severidade, na segunda-feira. Meus punhos já vinham me incomodando a um tempo; mas nos últimos oito ou dez dias ficaram mais sensíveis. Daí me meti a fazer umas posições mais complexas no Yôga; já comecei a sentir algum desconforto e alguma dor. Mas sou insistente e inventei de encadeá-las (para minha coreografia seminal), e daí “clec”. He he. “Clec”. Não cheguei a trincar algum osso ou nada disso. Mas subiu que foi de arrepiar. É muscular, embora provavelmente ligado a algum osso. A terça foi “legal”; fiz tudo com a direita; lavar as louças foi um trabalho hercúleo… e eu digitando letra a letra, com o indicador da mão esquerda; e fui tocar violão só com a mão direita, assim tendo de inventar uma nova forma de tocar (bem, saiu um som que foi algo mais que barulho…); doía muito; foi cômico. Doloroso, mas cômico. Não poderia ser diferente, não? Trata-se do fernando zeocit, afinal. Alguns gritos entre várias risadas e pausas para observação, assimilação – e até contemplação – de todo o evento.

 

 

Sim, eu consigo contemplar minha própria lamúria. Isso é até uma lição importante. Se a felicidade estiver dentro de si, qualquer lugar pode ser o céu. A felicidade ou sofrimento, de fato, são fatos subjetivos. Estão dentro de si, não fora. A gente que tende a confundir – e a culpar – o exterior, como se dependessem do entorno, quando na verdade está tudo aqui dentro, que interpreta o que está fora. É, isso é bem profundo e importante, mas não falarei disso agora; dedicarei um post maior e mais elaborado (e com imagens!) ao tema, pois ele merece.

 

 

5) Falo de “espírito” e “mente” em muitos dos meus posts. Posso ser mal compreendido por isso.

 

 

5.1) Uso o termo “espírito” num sentido estritamente literário e filosófico. É um termo vago para se referir a tudo dentro de um ser humano que faz ele ser o que é. Um sinônimo para “Eu”, para qualquer “força” ou “órgão”  que sirva de fundamento para todo o ser e fazer de um indivíduo humano. Num sentido análogo, refere-se ao conjunto de elementos que compõem a “psique” do indivíduo; as “coisas do espírito”, isto é, suas preferências e inclinações culturais; os sistemas de valores que estão dentro de si, incorporados, e os quais cultiva.

 

 

Imagine a “cultura” – ou uma cultura – incorporada no indivíduo. Isto é seu “espírito”.

 

 

O termo é vago exatamente para abarcar todos esses sentidos paralelos. E, evidentemente, por licença poética: essa margem de vago incita a imaginação e gera todo um efeito psíquico apropriado no leitor.

 

 

Mas não se trata, de forma alguma, de “espírito” no sentido de um fantasma, como uma consciência etérea e imaterial extra-individual. Não, é algo do próprio indivíduo, da própria pessoa. O “espírito” de uma pessoa é a cultura que está dentro de si. Fazendo, portanto, parte dela própria. Daí sua proximidade com os conceitos de “mente” e de “Eu”.

 

 

5.2) Uso “mente” em sentido lato. Assim, “mente” não se reduz a “consciência” ou “pensamento”. A mente é precisamente isto: o conjunto de órgãos psíquicos componentes de um ser humano.

 

 

Assim, todas as faculdades e propriedades psíquicas/psicológicas estão contidas na “mente”. Consciência, subconsciente, inconsciente, pensamento, pensamento consciente, pensamento inconsciente, pensamento lógico, razão, emoção, intuição, sensibilidade.

 

 

“Mente” é um termo psicológico associado ao cérebro e ao sistema nervoso. Enquanto o cérebro e o sistema nervoso são o “hardware” (a estrutura biológica subjacente), a “mente” é o “software”, é a síntese de todo esse aparato biológico (melhor expressa na “consciência”).

 

 
“Mente” é o todo, é tudo aquilo que define e distingue um ser humano. Reúne todos os elementos e capacidades cognitivas e sensitivas (inclusive intuição).

 

 

E como eu não sou místico, mas um cientista, um naturalista, entendo que todas essas faculdades derivam de coisas bem concretas, como um sistema nervoso complexo e redes ainda mais complexas de sinapses nervosas e interações bioquímicas.

 

 

O “Eu” (self) nada mais é que uma mente particular, isto é, uma configuração específica de todas aquelas faculdades e elementos universais. Assim, eu, Fernando, tenho uma mente, mas meu “Eu” não é qualquer mente, mas a minha mente, o que me constitui. Uma configuração específica de faculdades mentais gerais, cuja especificade gera meu “Eu”, igualmente específico.

 

 

Portanto, a “mente” é um termo geral, enquanto o “Eu” é individual. Uma mente específica, de um indivíduo, é seu “Eu”.

 

 

Portanto: não trato “mente” como sinônimo de “pensamento” e, muito menos, “pensamento consciente”; e não a oponho a certos graus de consciência ou outras habilidades psicocognitivas como “emoção” ou “intuição”. “Mente” integra tudo isso.

 

 

E, sim: está tudo integrado. Quem separa tudo somos nós – e, aliás, temos muito interesse nisso, afinal, os “racionais” opõem-se aos “emotivos” que se opõem aos “intuitivos”. Divisões arbitrárias, sociais, baseadas em conflitos envolvendo afirmação pessoal. Buscam hierarquizar as faculdades associadas a esses termos (“razão”, “emoção” e “intuição”) para, correlativamente, hierarquizarem a si próprios. Assim, estando X acima de Y ou Z, aquele que é X passa a ser automaticamente melhor que Y ou Z. As pessoas incorporam essas propriedades, em suas operações cognitivas e operações psíquicas. (Isto é: como acho que X é melhor ou superior a Y ou Z, passo a pensar que sou X ou que devo sê-lo e, assim, sou melhor que Y ou Z.) E daí lutam tacitamente para colocar suas propriedades acima das dos outros. O meu é melhor. E, assim, opõem e distinguem coisas que, na realidade, estão integradas – e não são dotadas de qualquer valor intrínseco (“maior”, “melhor”, “mais evoluído” etc.). As pessoas então projetam realidades ideais convenientes ao ego, que invertem e obscurecem a realidade objetiva. Tudo besteira. Na mente, ali, no cérebro, no sistema nervoso, em todo o corpo, isso está tudo integrado. Um influencia o outro. E complementa o outro. Não há hierarquia. Não há escala. São só coisas, faculdades, cuja inter-relação nos forma, nos confere habilidades e dimensões múltiplas e faz sermos o que somos. Sem uma, não há a outra. E o que uma é, depende do que a outra é. São sobreposições, conjuntos integrados. São faces da mesma coisa.

 

 

É isso. Mais cedo ou mais tarde postarei um post legal envolvendo uma tarde afável em que fiquei observando e contemplando uma mãe e seu bebê, numa dessas viagens de ônibus entre Curitiba e Blumenau. Essa tarde ficará marcada para sempre nas minhas lembranças, e ali percebi o cerne da relação materna. Esse será um bom post; um dos melhores até aqui.

 

 

Também falarei sobre a Lua e o que ela representa e significa para mim. Há todo um sentido filosófico e ontológico (existencial) por trás do meu uso da imagem da Lua. Especialmente na imagem com o feixe de luz vermelha atravessando-a – que é, aliás, a marca deste blog.

 

 

(Aliás: há alguma coisa a que não atribuí um sentido filosófico ou ontológico? Talvez até a minha granola possua algum grande sentido pra mim… mas observar e contemplar é isso, não?!)

 

 

(Alguém aí sussurrou “não, Fer, tu és só doido, mesmo”. Ah, não? Sei, sei.)

 

 

Enfim, serão bons posts. Não consigo mesmo manter-me afastado das palavras e da contemplação de todo o mundo ao meu redor. Definitivamente, eu vivo para isso.

 

 

Até mais.

 

 

F.

 

 

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s