A mãe e seu filho

 

 

 

I

 

 

 

Havia uma mãe com seu bebê no ônibus do percurso de volta de uma viagem que fiz a Blumenau, no dia 20 de fevereiro de 2011.

 

 

Vinte e um de fevereiro é o dia do meu aniversário. Neste – estamos em 2011 –, fiz 26 anos. Dos 19 aos 24 passei meu aniversário praticamente a sós. Eu e meu super-ego. Nesse período, chegava a me esquecer dele. Era lembrado por um telefonema ou alguma menção póstuma. Vivia ocupado demais estudando, elaborando planilhas, vivenciando a música, acumulando imagens, vendo anime, ou cinema extremo, ou jogando, ou lendo coisas; algumas úteis, outras nem tanto, algumas fascinantes, outras descartáveis.

 

 

Felizmente, tudo mudou. Redescobri o aniversário e a importância de compartilhá-lo ao lado dessa eterna instituição social, a família. Sim, já tentei suprimir a família; como já tentei superar todos os limitantes e obstáculos intrínsecos ao ego. Não vale a pena, te digo, caro leitor. Dê um abraço no pai e um beijinho na mãe, e seja feliz.

 

 

Neste fevereiro de 2011, o dia 21 caiu numa segunda-feira. Uma data até apropriada; viajaria dia 17, quinta, e voltaria dia 20, domingo. Claro, o 21 podia ter sido um sábado, mas como o leitor bem sabe, o mundo não existe para nós, ou por nós, ou por causa de nós, como querem os egoístas e os solipcistas. Segunda estava ótimo. Nada é cem por cento, afinal.

 

 

 

* * *

 

 

 

Durante a viagem, eu pensava na relação entre o passado, o presente e o futuro, e, por certas circunstâncias da vida, passei a relevar retrospectivamente toda a minha trajetória até então. Iniciara uma profunda regressão autoanalítica. Foi então que tive a ideia de escrever “Memórias”. Comecei a escrever no sábado, após ler o magnífico “Funes, o memorioso”, de Jorge Luis Borges. Às vezes, coisas que refletem precisamente o que somos pairam neste mundo social que nos abraça e envolve. No arcabouço cultural acumulado das memórias e reflexões de milhares e milhões de outros, antes de nós. Uma ideia, uma frase, uma obra de arte, uma fórmula matemática, uma peça do vestuário, um acessório aparentemente banal, uma banalidade aparentemente banal. Algo que é nós feito algo. Como se parte da nossa pessoa já estivesse constituída e pronta, nos antecipando, antes mesmo de nascermos. Assim, quando encontramos esse algo, nos identificamos em tal grau de como se ele existisse exclusivamente para nós; como se ecoássemos nele; como se lá esperasse, só para ser por nós descoberto.

 

 

Essa surpresa de ver o mais profundo de si representado em algo ou alguém está, pois, entre o restrito rol das satisfações que constituem as próprias razões de se estar vivo. Cumplicidade ontológica. A base de toda a sociedade e a existência do homem.

 

 

 

 

 

 

Através dessas identificações, herdamos das pessoas do passado parte de nossa própria pessoa. Suas obras, ideias, sentimentos e reflexões passam a ser nossos, a constituir a nós mesmos. E, durante a vida, atualizamos esse imenso legado humano adicionando nossas características estritamente individuais, nossas próprias memórias e experiências. Somamos ao passado as inovações inscritas naquilo que é exclusivo do nosso ser. Em nossa singularidade, reformamos o passado com o vigor do presente – o nosso presente, o presente que atualmente somos nós. Então, passamos a herança adiante, ampliada e refinada, para as gerações futuras.

 

 

Como se fôssemos parte de uma só pessoa, um grande ser, uma entidade trans-histórica, perpassando o tempo e o espaço. De contribuição a contribuição, de identificação a identificação, de objeto a objeto, de valor a valor, de cultura a cultura, de indivíduo a indivíduo, de desconhecido a desconhecido, a humanidade persiste e navega cosmos adentro.

 

 

 

foto: cuba gallery

 

 

 

“Funes”, pois, pareceu um reflexo de mim mesmo. Encontrara ali o ponto de partida para o resgate e descrição das minhas próprias memórias.

 

 

Revelei nessas memórias o papel importante da mãe na constituição do meu Eu. Então, naquele ônibus, havia aquela mãe com seu bebê. Naquele instante, eu pensava em “Memórias”. Os eventos que ali sucederiam, contudo, me fariam escrever sobre aquela mãe e seu filho. Mas, a princípio, não abandonaria “Memórias”. Apropriado, não? A mãe e o filho são a máxima representação do processo de transmissão cultural que unifica passado, presente e futuro e que funda toda a humanidade. O nodo que sustenta toda a civilização. Assim, desde o início, pensei em incluir tais notas sobre a maternidade em alguma parte de “Memórias”, talvez quando falasse da minha própria mãe. Acabou que não consegui encaixar esses escritos em parte alguma. Ficaria longo demais e alteraria o foco, fazendo-me dizer menos, mesmo escrevendo mais. Portanto, deixaria esses escritos à posterioridade. Hoje, penso ter sido a melhor escolha. A “Mãe e seu filho” mereceria um post exclusivo, afinal.

 

 

 

II

 

 

 

Havia, pois, uma mãe com seu bebê no ônibus do percurso de volta daquela viagem que fiz a Blumenau, no dia 20 de fevereiro de 2011.

 

 

Era jovem e sentava-se na poltrona doze, janela, do lado esquerdo do ônibus, o mesmo do motorista. Eu estava na quinze, também janela, do lado direito. Doze, treze, catorze e quinze. Uma fila, os dois pares paralelos. Ficamos quase lado a lado. Minha poltrona ficava uns trinta centímetros à frente da dela.

 

 

Assim, se eu encostasse minha cabeça no encosto do meu acento, a poltrona ao meu lado, do corredor, ficaria entre nossas vistas, impedindo o contato visual. Eu só veria sua face se me inclinasse uns 40 centímetros – ou se ela fizesse o mesmo. Mas como ela só tinha olhos para seu bebê, seu filho, seu Eros, não tinha razão de fazê-lo. Só eu. Aquele que estava na condição privilegiada de observador – embora um observador talvez de certo modo irresponsável; que só pode observar e dar-se ao luxo de escrever sobre suas observações por não ter responsabilidades tais como um filho para criar e amar. Sim. Liberto dos constrangimentos do mundo e, especialmente, da última das responsabilidades, a de perpetuar a vida, o intelectual – um egoísta por excelência – pode dar-se ao luxo de observar e contemplar as coisas, o mundo e os outros.

 

 

O que poderia eu fazer, sendo um egoísta e um irresponsável em potencial? Que poderia fazer para transfigurá-los em altruísmo e responsabilidade? Teria de arrancar de suas essências o seu contrário, num movimento dialético, próprio da potência dualista inscrita na natureza humana.

 

 

Bem, para consumar tal permuta, escreveria sobre aqueles dois e os projetaria para a coletividade. Assim, também escreveria para eles. E teria a responsabilidade, o dever de fazê-lo. A responsabilidade de falar sobre os responsáveis. Um dever e tanto, não?

 

 

 

arte: escher

 

 

 

Como se vê, um dever tão sublime que deve querer ser operado. Um dever tão elevado que se quer livremente levá-lo a cabo. Uma responsabilidade tão inefável que se deseja cumpri-la, mais do que qualquer atividade lúdica ou imediatamente prazerosa. Liberdade e querer – liberdade de ser e de escolher – baseados em dever e responsabilidade.

 

 

Operando esta inversão altruísta, eu me colocaria a serviço daqueles dois e, por intermédio deles, da humanidade. E, no processo, quase que num paradoxo, realizaria meu mais puro desejo individual.

 

 

Eu registraria, afinal, minhas impressões sobre a mãe e seu filho. Filtraria suas figuras através das lentes da minha mente de observador privilegiado, atribuindo-lhes um significado que exaltasse suas maiores virtudes. E difundiria essas impressões. Assim, faria uma homenagem a eles. O foco recairia sobre o elo mais forte de todos; sobre a responsabilidade da mãe; sobre o vínculo ontológico entre ela e o filho; sobre o processo vital em plena germinação que era, em suma, aquele bebê. Eu sairia de cena, eles subiriam ao palco. Eu só forneceria os instrumentos e a plateia, e deixaria brilharem os atores verdadeiramente merecedores de atenção: a mãe e seu filho.

 

 

 

III

 

 

 

No ângulo de visão instituído por aquela configuração aleatoriamente oportuna de poltronas, eu posso ver claramente o bebê e seu interagir com a mãe, mas ela não me vê. Assim, posso observar a plenitude da maternidade sem submeter a mãe a qualquer constrangimento do olhar. Inclino minha cabeça levemente para a esquerda e vejo a parte inferior do corpo da mãe e, sobre ele, o bebê. Inclino-me um pouco à frente e vejo que é uma jovem mãe. É uma morena na plenitude da juventude, provavelmente entre 25 e 30 anos. O bebê está deitado de costas sobre suas coxas. Pezinhos encostados no ventre, cabeça sobre os joelhos. Ela o posicionou assim não só para provê-lo maior quantum possível de conforto, mas para vê-lo e apreciá-lo, como a mais preciosa das preciosidades.

 

 

 

 

 

 

Vejo os braços e as mãos da mãe, que interagem com as do filho. Como num jogo de pega-pega, ela atrai as mãos e a atenção dele com movimentos fugidios. O vai e vem dos gestos produz na criança uma alegria singela. Abre-se um sorriso cintilante. Essa alegria parece acumular-se à medida que o jogo prossegue. Como se a felicidade dele ecoasse para dentro dela, e assim reciprocamente; ambos em razão diretamente proporcional. Há uma sincronia entre eles. É invisível ao olhar, não é possível enxergar, mas posso ver um campo de energia sutil, que transmite de um ao outro parte do conteúdo humano dentro de si. Há ali a transmissão de intenções e emoções que exprimem o significado que o outro tem para si. Sem conscientemente deliberarem, sem qualquer acordo, sabem que é o significado da união. E o reconhecimento mútuo desse significado, de que estão juntos, de que são partes de algo maior, dessa mutualidade ontológica, produz em ambos radiante e profunda felicidade. A felicidade dessa mútua identificação então produz algo mais. Nele, estimula o desenvolvimento de bases psíquicas sólidas, favoráveis a uma mente saudável, propícia a uma vida feliz. Nela, confere razão para a vida e catalisa suas potencialidades, estimulando-a a ser cada vez mais quem deseja ser.

 

 

A mútua identificação dá forças para o que ela é aproximar-se cada vez mais do que quer ser. Ainda que este querer não seja conscientemente apreensível; mesmo que seja uma tendência latente, pulsando nas frações inconscientes da mente. O vínculo afetivo profundo, o vínculo ontológico, o apoio existencial, e a felicidade daí derivada, pois, é um dos fatores mais poderosos da afirmação e realização individual. A força mais poderosa para aproximar ser e dever ser; o que se é àquilo que se quer ser; o real do ideal.

 

 

A identificação e a união propelem o indivíduo em direção aos seus ideais. E entre todas as formas de identificação e união, observo agora a maternidade; a parte fundamental deste elemento fundamental que é a união afetiva. Vejo a vida dele germinando e a dela se realizando, em virtude de um único vínculo afetivo. As relações entre as pessoas, o social e o individual, a integração entre as mentes e os Eus. O individual que existe em relação a outro individual. Os individuais que se complementam e cuja força complementadora os faz, ainda mais, individuais. E, em tudo isto, a humanidade igualmente germinando, amadurecendo e se afirmando. E a maternidade em seu cerne.

 

 

 

 

 

 

IV

 

 

 

Por ventura, mas com a intenção da mãe, ele agarra firmemente um ou os dois dos polegares dela. Eles trocam carícias. Com o fim do jogo gestual do agarra e solta, os olhos do bebê estão agora fixos nos da mãe. Sim, o bebê sabe que os olhos são a janela da alma, a janela para o Eu; o mar por trás dos olhos. Este contato interocular é o veículo principal de sua ligação com a mãe. A face infante estampa uma expressão de entusiasmo inocente, refletido em sua testa, cílios, lábios, bochechas e no movimento das suas pálpebras. E, evidentemente, no brilho dos olhos, cuja radiância manifesta que os olhos estão também a sorrir. Ele emite gemidos, trinados, timbres agudos de felicidade. Está realizado, sem saber o que é a realização.

 

 

Percebo que o bebê está comunicando-se com a mãe, usando todos os meios atualmente possíveis para si. Neste momento, pois, presencio o desabrochar da linguagem. Destituído de linguagem simbólica, busca expressar-se por meio da linguagem corporal. No bebê está se moldando um conjunto cada vez mais vasto e sistemático de emoções e noções ligadas ao ambiente externo. Tanto o conhecimento das coisas como suas emoções são, ainda, matérias indissociadas na mente. Ele conhece sentindo, e sente com o instinto. Lentamente, suas ações instintivas reunirão uma massa cada vez maior de experiências, às quais se associarão sentimentos, que se transformarão em memórias. As impressões sensório-motoras então cederão cada vez mais lugar às faculdades emotivas e destas se desenvolverá o pensamento simbólico. Cedo ou tarde, o bebê aprenderá a pensar e a exprimir-se a partir de um vasto sistema de ideias e conceitos, assim deixando de ser bebê. Que é que está na base desta formação de um novo Eu? A interação materna. A identificação com a mãe. Os sentimentos e emoções derivados desta relação, semeando as bases do seu futuro Eu.

 

 

 

 

 

 

Impressiona, portanto, tudo o que está por trás de um só ato carinhoso.

 

 

 

V

 

 

 

Ele me viu. Travou seu olhar sobre mim uns 15 ou 20 segundos, sem um piscar sequer. Mas comigo sua expressão diferiu de com sua mãe. Cessaram todas as manifestações expressivas; os movimentos da face, dos braços, do corpo. Olhava para mim como se fora congelado. Eu, uma novidade, fiz o bebê entrar num estado de reconhecimento. Não necessariamente de alerta, mas de atenção, de cautela; me observava, reunindo informações do ente desconhecido. Assim, não se comunicava. Não emitia sinais; apenas os recolhia. Provavelmente toma sua mãe por base, para identificar o “caráter” de um estranho: o comportamento da mãe, os sinais da mãe, as reações da mãe, representando a segurança, o porto-seguro; aquilo a que ele deve sempre se referir e associar. Então, olhou para a pessoa atrás de mim, decorrendo os mesmos quinze ou vinte segundos investigativos. Depois, voltou a olhá-la, retornando de imediato toda a sua eferverscência expressiva. Voltou a comunicar-se e a entusiasmar-se com o ser que lhe é como um prolongamento de si – a única coisa no mundo com a qual se reconhece; seu apoio ontológico total.

 

 

Passaram-se alguns minutos. Observo a mãe verificando com zelo o seu bem-estar. É patentemente claro que ela trata-o como algo além de um ser humano. Está claro que ele tem algum significado quase mítico para ela, uma espécie de avatar, um representante na Terra de essências extraterrenas. Repleta de veneração, ela o apalpa, o beija, o acaricia, o oferece o seio, suspira e canta nos seus ouvidos; ao que ele responde cantarolando gemidos e esticando os braços para lhe agarrar os polegares e apalpar a face.

 

 

Está claro. É uma dança, uma sinfonia de partículas e vetores invisíveis de matéria anímica. Presencio a substância elementar do universo afetivo.

 

 

 

 

 

 

Ele voltou a olhar para mim. Provavelmente curioso com o que eu faço – ou com o que sou. O fato de escrever olhando para ele com certa frequência, revirando todas estas notas, mexendo em todas estas folhas, deve ter instigado a sua curiosidade. O bebê é especialmente curioso – e deve sê-lo, para acumular as experiências necessárias àquela germinação cognitiva e ontológica a que já me referi. Está claro, portanto, que, focando atenção especial em minha pessoa, passarei a fazer parte do seu desenvolvimento, assim, de sua vida.

 

 

Quando me apercebo nesta situação, passo a trocar olhares e a fazer algumas caretas. Atraído pelo feedback, o bebê exercita alguns sorrisos. Ele responde às minhas caretas com outras caretas. Até balança os braços, com as mãozinhas fechadas, naquele vai e vem extasiado, típico de quando se entusiasmam. Ora! Ele estabeleceu contato e abriu um canal de comunicação, enfim!

 

 

Após nos conhecermos através da ferramenta do corpo – veja como a linguagem corpórea e a intuição são poderosas – o bebê emite sinais parecidos com os que emitia há algum tempo à sua mãe. Talvez ele tenha produzido algum tipo de vínculo comigo, embora fugaz, tal como o tempo que passamos juntos; estes setenta minutos que nos separam de nosso destino. Ele então se vira novamente para sua mãe e finalmente se acalma. Foi dado o sinal para descansar. Processar as informações fresquinhas que acabara de apanhar, adicionando mais alguns motivos às suas memórias. Enquanto isso, descansará resguardado por sua eterna guardiã.

 

 

 

 

 

 

Imagino o tipo de impacto – embora fugaz – que tive sobre ele; que tipo de estímulo sobre seu cérebro recém-formado e sua mente ainda em formação, e, assim espero, sempre em formação.

 

 

Sim, contribuí infinitesimalmente para a formação da base, do princípio gerador de toda a sua personalidade. Uma memória. Um fragmento remontando desde longe até o íntimo do seu ser. É isto o que foi esse breve momento para o infante bebê. Embora fugaz.

 

 

 

* * *

 

 

 

Havia uma mãe com seu bebê no ônibus do percurso de volta de uma viagem que fiz a Blumenau, no dia 20 de fevereiro de 2011. Essas são as nossas memórias.

 

 

 

F.

 

 

 

 

4 comentários sobre “A mãe e seu filho

  1. Belo texto, síntese do encontro experimentado que permanece, após o desenlace, nos jardins dos caminhos que se bifurcam (sempre Borges).

  2. Lágrimas…sorriso…gratidão…
    Somente alguém repleto de memórias esculpidas em sensibilidade poderia expressar o elo mágico que se dá entre a mãe e seu filho.
    Obrigada Fê, obrigada por este momento de memórias compartilhadas.
    Um grande beijo no seu coração!

    • É preciso sair da toca e oferecer alguma contribuição ao mundo, embora infinitesimal, hehe. Bom saber que o texto produziu esse efeito; quer dizer que se transmitiu o que foi codificado. Beijos e se cuide.

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