A “matemática prudencial” de Benjamin Franklin (ou, como resolver todos os seus problemas)

 
 
Os trechos a seguir foram extraídos de uma carta de Benjamin Franklin a um amigo, respondendo a um pedido de conselho. O gênio americano acabou por ensiná-lo como não precisar mais deles.
 
 
“Quanto a essa questão, de tamanha importância para o senhor, e para a qual solicita meu conselho, não posso, por falta de dados suficientes, aconselhá-lo sobre que decisão tomar. Contudo, se lhe aprouver, eu lhe direi de que modo poderá fazê-lo. Casos como esse, quando ocorrem, mostram-se difíceis principalmente porque, enquanto sobre ele meditamos, nem todas as razões favoráveis e desfavoráveis se nos apresentam simultaneamente à nossa mente; ao contrário, por vezes, um primeiro conjunto delas surge e, por outras, um segundo, enquanto que o primeiro não nos ocorre. Daí, seguem-se vários propósitos ou inclinações, que prevalecem alternadamente, e uma incerteza que nos deixa desorientados.
 
 
Para sair desse impasse, como recurso traço uma linha dividindo ao meio uma folha de papel, obtendo duas colunas; ao alto da primeira, escrevo prós, ao alto da segunda, contras. Em seguida, durante três ou quatro dias de reflexão, vou anotando, sob diferentes títulos, sugestões breves dos diversos motivos a favor ou contrários ao julgamento que, em diferentes momentos, ocorrem-me. Após tê-los assim reunido numa única perspectiva, esforço-me por estimar seus respectivos pesos; quando entendo que dois deles (um em cada coluna) parecem-me iguais, elimino-os. Se considero que uma razão favorável iguala-se a duas contrárias, elimino as três. Se julgo que duas razões favoráveis igualam-se a três contrárias, elimino as cinco. Procedendo desse modo, afinal descubro onde está o equilíbrio. E se, após um ou dois dias de contínua reflexão, nada de novo e de importante surge em qualquer das colunas, dessa maneira chego a uma decisão. Embora o peso das razões não possa ser avaliado com a precisão das quantidades numéricas, ainda que cada qual seja considerada separada e comparativamente, e o todo se me apresente, creio poder julgar melhor, arriscando-me menos, provavelmente, a tomar uma decisão temerária. Desta maneira, com esta espécie de equação, encontrei grandes vantagens naquilo que pode ser chamado de matemática moral ou prudencial“.
 
 
Demais, não?
 
 
Sugiro imprimir e deixar ao lado da cama ou na mesa de trabalho.
 
 
Até mais.
 
 
F.
 
 

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