Lúdico, caloroso e glacial

 
 
Ontem eu falei sobre minhas lembranças com essas gélidas tardes sombrias. Em parte, da minha relação com elas. É engraçado, pois momentos depois de postar o texto, recebi uma notícia com um link para um vídeo. Um vídeo sobre um garoto no meio dos confins da Islândia. A chamada do texto falava de contos de fadas e características topográficas típicas de uma “paisagem vulcânica às portas das luzes nórdicas”.
 
 
A Islândia me provoca fascínio – embora eu a conheça pouquíssimo. Me inspira algo de mistério puro. (Talvez, provavelmente, daí o fascínio.) Abri o vídeo curioso e tive uma agradável surpresa. Me ocorreu um daqueles raros momentos de identificação total com algo externo a si – algo que exprime perfeitamente alguma sensação recôndita e difusa, porém intensa, que não havíamos sido capazes de exprimir. Quando essas impressões tomam forma ante nós; seja qual for, uma palavra, uma imagem, uma cena ou som; os fragmentos reúnem-se numa síntese maior que irrompe, como um desabrochar, cuja explosão de energia e paixão de uma só vez resolve a avidez intrínseca àqueles sentimentos dispersos, não realizados, portanto aflitos, flutuando nas profundezas do nosso inconsciente.
 
 
Como se o Eu interior sussurrasse algo que nossa consciência não conseguisse ouvir. Ao ver este algo realizado do lado de fora, uma alquimia espontânea dispara e somos tomados de êxtase. No fim, não vemos somente as peças encaixadas do quebra-cabeças, mas todo um novo retrato, uma nova paisagem, que nos revela aquilo de júbilo e formidável, que nos elementos dispersos só tínhamos uma vaga e incômoda impressão.
 
 
Um reflexo. Pode ser com qualquer objeto. Qualquer coisa que a mente é capaz de perceber e significar. Algo tão sutil como um olhar sugestivo, um toque caridoso, uma leitura solitária, uma frase específica, uma cena inesperada, um música. Comigo, ocorreu uma síntese entre aqueles já longínquos momentos colegiais, naquelas assentos de madeira em frente ao ginásio de esportes, naqueles dias frios e úmidos, e as imagens e sons que vi.
 
 
“Como se esse algo existisse exclusivamente para nós; como se ecoássemos nele; como se nos lá esperasse.” A gente então se encontra, nos descobrimos mais, e nosso Eu se torna mais rico. Experiências que justificam a vida inteligente.
 
 
Não, não é possível transmitir esse produto, toda essa massa anímica. Mas a beleza contida nas imagens e sons, nos atos, paisagens e movimentos, contém algo de universal. Seu valor já se justifica somente nisso. Mas esclarecer-se a um leitor – e ser eventualmente reconhecido – é um risco aprazível. No fim, tudo se trata de transmitir e compartilhar, afinal. Um transmitindo ao outro. Transmito então a fantástica analogia que o piá do vídeo poderia muito bem ser o Fernando de 11 anos atrás; ou melhor, aquilo que corria no meu espírito naquele momento é o que está contido no vídeo. Daí a absoluta necessidade de divulgá-lo…
 
 

(Veja-o em tela cheia. Ali, nas flechinhas na diagonal inferior direita. Curta…)

 
 
Que demais.
 
 
Até.
 
 
F.
 
 
P.S.: Mas brrrrrrrr. Que frio!
 
 

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