“o templo / um argumento”

 
 
O domingo chega ao fim.
 
 

Fim.

 
 
“Fim” é uma palavra forte, muito forte; uma das mais fortes do vocabulário – e isso provavelmente em todas as línguas. Veja, por exemplo, o que o Houaiss nos diz sobre o “fim”:
 
 
n substantivo masculino
1 momento ou ponto em que se interrompe algo; termo
Ex.: f. de férias
2 conjunto dos últimos ou o último elemento de (obra, discurso etc.); epílogo, conclusão
Ex.: o f. do filme
3 última instância (de algo); limite
Ex.: a paciência chegou ao f.
4 parte extrema (de espaço)
Ex.: o f. da rua
5 último período de um espaço de tempo maior; final (tb. us. no pl.)
Exs.: f. de mês
em fins do sXIX
6 ponto final; término
Ex.: devem pôr um f. nisto
7 cessação da existência de (algo); ruína, queda
Exs.: o f. do império
o f. das esperanças
7.1 falecimento, morte
8 o que se busca atingir; finalidade, propósito
Ex.: o f. não justifica os meios
9 explicação ou motivo (para fato, atitude); causa
Ex.: tratar-se é o f. que o traz aqui

 
 
Para não se aprofundar no tema, literatura e filosofia adentro. (Não somente por não ser a hora, mas porque eu não seria capaz. Ainda.) Eu disse há algum tempo que estava vibrado em Fleet Foxes. Há uma canção deles especialmente apropriada; a melhor delas, eu diria.
 
 
É difícil descrevê-la, especialmente porque eles não precisam de porta-vozes. Então é melhor deixar que falem. Vamos, falem, cantem e gritem, raposas. Somos a sua plateia. Eis, “The Shrine / An Argument”. Cantem, raposas.
 
 

 

I went down among the dust and pollen
to the old stone fountain in the morning after dawn
underneath were all these pennies
fallen from the hands of children
they were there and then were gone
 
and i wonder what became of them
what became of them
 
sunlight over me no matter what i do
apples in the Summer all cold and sweet
everyday a’passin complete
 
I’m not one to ever pray for mercy
or to wish on pennies in the fountain or the shrine
but that day you know i left my money
and i thought of you only
all that copper glowing fine
 
and i wonder what became of you
what became of you
 
Sunlight over me no matter what i do
apples in the summer all cold and sweet
everyday a passing complete
apples in the summer all cold and sweet
everyday a passing complete
 

 
In the morning waking up to terrible sunlight
All diffuse like skin abuse the sun is half its size
When you talk you hardly even look in my eyes
in the morning, in the morning
 
In the doorway holding every letter that I wrote
in the driveway pulling away putting on your coat
in the ocean washing off my name from your throat
in the morning, in the morning
 
in the ocean washing off my name from your throat
in the morning, in the morning
 

 
Green apples hang from my tree
they belong only to me
Green apples hang from my green apple tree
they belong only to, only to me
 
and if i just stay awhile here staring at the sea
and the waves break ever closer, ever near to me
i will lay down in the sand and let the ocean lead
carry me to Innisfree like pollen on the breeze

 
 

 
 
As raposas buscam mônada em suas elegias de pólens, réstias e prantos. Estão usando a música para interpretar a coisa imaterial que percebem, de alguma forma, em suas paisagens temperadas, nos cantos dos pássaros e aquilo, aquilo, quero dizer, isso, isto que há entre os homens. Eles estão em busca do ponto, do princípio, e em labirintos buscam representar a sua essência. Que continuem cantando por muito mais tempo ainda. Bem-vindos à busca, meus compadres, rapazes, raposas.
 
 

I will lay down in the sand and let the ocean lead
carry me to Innisfree like pollen on the breeze

 
 
Até mais.
 
 
F.
 
 
P.S.: “Raio solar sobre mim, não importa o que eu faça”. Lembre-se, Fernando, leitor, leitora, raposa, lembre-se sempre disso.
 
 

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