tipo, assim. ponto de partida: “expresso da meia-noite”. ponto de chegada: roy. saca.

 
 
Tipo assim, saca. Os hômi e as mina, e inclua aí seus inúmeros intermediários sapianos, pregam umas peças às vezes, saca. “Sacar”, aliás, é a segunda palavra mais importante do idioma, pouco, bem pouco atrás de “coisa”. É a arapuca que se encaixa em qualquer circunstância e que permite ao orador perdido sair pela culatra sem maiores danos à sua imagem. Saca. Pois bem. Serei sucinto desta vez. (Eu escrevi sucinto suscinto agora. Desperdiçando um “s” e aniquilando Napoleão Mendes de Almeida até o último de seus descendentes espermatonianos, saca. Mais: acabei de escrever “disperdiçando”. E não foi sem querer, saca. Que bom que não existem mais máquinas de escrever. Dois “backspace” e tá tudo supimpa. Saca. Imagine um treco desses nas mãos d’um Homero?!? Estaríamos procrastinando em Urano! [Quer dizer, a história não passaria de 1372.] Mas bem, prometi que seria sucinto, e o serei. Saca.)
 
Pois três rápidas observações sobre @s minômem e suas peripécias metontológicas (saca.). Serei tão sucinto que até aplicarei um método cartesiano, saca. E todos sabem que Descartes é herói, saca. Descartes era o cara, saca. Não entendo por que ele não é mais popular no mercado intelectual, saca. Veja be..
 
1) Na quarta-feira passada houve jogo do Coritiba (os cUritibanos torcedores do cOritiba estrategicamente demitiram o U e prontamente substituíram-no pelo comportado O para evitar eventuais piadinhas futebolísticas malditosas de torcedores rivais e atleticanos envolvendo profanidades anais, saca, mas não me estenderei no parênt…). Pode ser na quinta-feira também, não me lembro ao certo. Copa do Brasil. Há um boteco a uns 126 metros de casa, quadra acima, numa esquina. Covil de coxeiros errantes. O jogo decorria no coliseu alheio e o estádio local dá lugar aos botecos. Horas antes do jogo. Eurocopa na tela. Coxeiros não querem saber de futebol civilizado, então correm assuntos heterônomos. Há rodas de machos. Surpreendentemente, um só fluxo sonoro ofusca os demais e tilinta meus tímpanos com exclusividade.
 

EXPRESSO DA MEIA-NOIIIIITE!!! EXPREEESSO DA MEIA-NOITE!!!…

 
“Heh”. Penso. “O playboy metido a culto da roda”. Escárnio e preconceito agudos. E penso sem querer – pior ainda. “Depois confiro no IMDb.” Também sem querer – meu trunfo! Colocar à prova os próprios preconceitos. Sempre. Ao ponto do extermínio do meu próprio Ego. Ainda assim, hordas de centuriões romanos perdidos em pleno século XXI, penso – e não retiro o que disse: que ESTE preconceito desça comigo aos quintos dos infernos!
 
1.1) Cinco metros adiante, uma fêmea está às margens, fora do bando, no cantinho do boteco, junto à cerca, ao celular. Novamente, um só fluxo sonoro entre a cacofonia no ar:
 

“E AS CRIANÇA! AS CRIANÇA!…”

 
Não sei o que isso significa.
 
2) Acabou minha pasta de dentes e esqueci-me de qualquer coisa ligada a dentaduras em minha visita mais recente ao Mercadorama. Ontem tornou-se impossível extrair alguma substância de dentro do tubo da minha pasta de dentes. Cogitei operá-la com um estilete afiado para não ter de espoliar meio grama da pasta dos meus queridos inquilinos, mas foi impossível. Irei para o inferno por isso, mas antes o inferno do que uma dor de dentes. (E espero que eles não me leiam.) Mas hoje dei sorte e encontrei três pastas no cantinho da despensa de miscelâneas da padaria do lado de casa.
 
Mas é o seguinte. Atente.
 
 
 

 
 
 

Viu. Não viu? Viu. Não viu? Pois bem.

 
 
 
 
 

 
 
 
 
Santa racionalidade econométrica, Batman! Adulteraram o preço! E como é genial o cérebro mesquinho, Watson! Veja bem, Dagoo! Os padeiros cataram a Bic do balcão dos chiclets e tascaram um 6’zão em cima do três! Saaaca só a esperteza, Queequeg! Aprenda com os mestres! O 6 estrategicamente dissimula o 3, encobrindo os dois espaços vazios do seu lado esquerdo – que o distinguem de um 8. Assim tornando dúbia a inflação do preço e abrindo a possibilidade de uma interpretação deflacionária. Pois assim um economista liberal smithiano acéfalotimista pode alegar que a pasta custava R$ 2.80, tendo regredido a R$ 2.60 em virtude da intensa competição entre pãezinhos. Mas o zoom desmente as mentes interessadas revelando que se tratava de um três. Acréscimo de 30 centavos ou 12,5% ao preço anterior. Pois o bom trabalhador recebe seus bons 6%. No máximo. E ainda assim precisa escovar os dentes. Saca. Mas é pior. Viro a pasta, e eis que…
 
 
 
 
 
 
 

Viu. Não viu? Viu. Não viu?

 
 
 
 
 
 
 
 
O-B-I-S-C-E-N-I-D-A-D-E, Capitão! Uuuuuuuuuuuuuuuum e sesseeeeenta, Batman!!! Um e sesseeeenta!!! E o espoliador ainda esquece a prova do ato no topo do divã!!! Não custa arrancar mar’um rearzin’ do bolso do bom operário, meu caro Ricardo! E as forças de mercado, meu bom Hayek?!? Pesam sobre os tuas cinzas um espólio de 38,5%, conduzido por um humilde cérebro iletrado em sua mesquinhez primitiva, que nos acompanha desde as cavernas; quando ao passar dos séculos as balaclavas transformaram-se em cifras monetárias. Ao cérebro iletrado a adulteração de uma etiqueta; ao cérebro cultivado a força arrebatadora das virtudes abstratas e a tirania faraônica de um punhado de teoremas; em toda a sua sofisticação redutíveis a um uga-uga e um sopapo na nuca alheia; e o sangue; e as tripas; e assim vai, e assim vai. Eis, a tua “mão invisível”, eis a tua lógica de mercado, eis a tua racionalidade; eis, os teus vícios privados, virtudes coletivas, picareta da ficção financeira! Os habitantes barrigudos dos iates batem três vivas em tua causa e deliciam-se com teu cientificismo vulgar; e ao coro deles juntam-se seus filhotes homicidas; e talvez o padeiro da esquina, no futuro possível.
 
 
 
3) Tem uma moscabelha cabreira no meu azeite.
 
 
 

 
 
 
Santa oliveira, Batman! Tem um inseto no brasão do teu azeite! Quello che vuoi! Quello che vuoi con mi azeite d’oliva, mo caro Filippo! Que inscrição heráldica é esta?!? Qual sociedade secreta vende-me azeite pra financiar maquinarias ocultas?!? Que seita estou financiando?!? Que grande teodiceia, que grande Leviatã zomba de mim através da garrafa do meu azeite!
 
 
Pro inferno, mio caro Filippo. Teu azeite é amargo como uma lasca de metal enferrujado. Blerg.
 
 
 
A todos vocês, padeiros picaretas, patriarcas barrigudos, economistas deslumbrados, ideólogos dissimulados, playboys boçais, centuriões modernos, a todos vocês, uma palavra, uma imagem, uma unção:
 
 
 
 

 
 

 
 
 
Basta. Vão-te em paz, pecadores.
 
 
F.
 
 
P.S.: O tal “Expresso da Meia-Noite” é 7.6 no IMDb. Lançado ao público em 1978. A sinopse nos diz: “Story of a man who is caught smuggling drugs out of Turkey and thrown into prison”. Quer dizer: Cult bagarai. E massa bagarai. Já tô baixando. O tal “playboy” contribuiu em dois degraus para a minha própria salvação, sem querer. E mais um preconceituoso abatido. Aprenda, Fernando! Mais um passo; zeocit te aguarda! Como é sábio, o acaso!
 
 

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