experimentos mentais. percepções internas, sensações e formação das ideias. primeira síntese. o meu caso

 
 
Certo. Finalmente, eu vou dizer. Chegou a hora. Eu estava me refugiando desta ficha, pois sei que o volume do seu significado e suas ramificações são geométricas e transcendem em 594 parsecs a extensão das informações registradas no papel. (Não é tão importante assim. Mas vale o hype. Continue a ler.)
 
Entendo que esses são fenômenos provavelmente abordados pela neuropsicologia, e talvez mesmo constitua o mainstream deste campo que cedo ou tarde revolucionará o universo minomem. Mas antes de louco sou sociólogo e (ainda) não tenho educação técnica em ciência cognitiva e, assim como os artistas o fazem, preciso investigar intuitivamente os fenômenos ocultos da mente; embora, é claro, eu associe as faculdades sensitivo-intuitivas com o pensamento racional e a decomposição analítica e lógica dos fenômenos que percebo com as sensações e a introspeção.
 
A ficha a seguir foi escrita durante uma viagem ao litoral norte paulista, no final de 2011. O mesmo período em que escrevi “Manchas obscuras nos mares contemplativos”, talvez meu melhor texto até aqui. E se o fiz, foi porque foi uma experiência fértil. É difícil transmitir o conteúdo da ficha porque eu a escrevi para mim. E, no momento, eu estava num estado de introspeção em espiral, em que a minha sensação atual, digamos, no momento T1, estava antecipando o pensamento que surgiria no momento imediatamente seguinte, T2 – e eu, ao escrever, tentava descrever tanto o sentimento de T1 que antecipava o pensamento em T2, como este próprio pensamento. Mas a escrita, ela própria, já é uma terceira variável – e, portanto, eu ao mesmo tempo sentia, pensava e escrevia; enquanto havia uma causalidade entre todos esses elementos; a sensação, como eu disse, antecipava e produzia o pensamento, que já estava na sensação e era através dela desencadeado; e eu escrevia por esses motivos. E pior: a sensação inicial não só conduzia ao pensamento, mas me obrigava a escrever. Ao sentir, eu já sabia que escreveria. No momento em que escrevo este post, como aliás percebes, eu estou tentando reconstruir logicamente o que ocorreu naquela noite. Mas isso já é uma tradução! Pois o processo não seguiu a lógica linear da reconstrução textual. Mas se não for lógico e linear, vocês não têm como entender. É, portanto, uma tradução. Tentarei facilitar as coisas transcrevendo a ficha integralmente e fazer comentários pontuais {entre chaves}. Tenho de usar chaves para os comentários atuais, porque usei colchetes e parêntesis na ficha original. Portanto, tudo o que, no próximo parágrafo, estiver em parêntesis e colchetes, assim o estava na ficha. As adições atuais estarão entre chaves. Assim o leitor poderá perceber o processo do pensamento e a voz do inconsciente atuando em forma crua, e comparar com minha reconstrução lógica posterior. (O que já comecei a fazer. É este próprio parágrafo. Foi minha tentativa de explicar o fato. Pois bem, agora já tens a descrição lógica em mãos, que te ajudará no entendimento da ficha. Eu não estou planejando este post, estou obedecendo à minha mente, isto é, ao que deseja o Eu interior, ou os processos neurais inconscientes que constituem as fenômenos mais complexos da mente, isto é, as emoções, a intuição, o pensamento complexo e o raciocínio abstrato.)
 
 

29.dez.
 
[Docência] (Aula métodos-planilha)(Instrução p/ desenvolver o talento. Instruções de produtividade.) Atenção às referências tácitas do meio, as ressaltadas inconscientemente pelo cérebro – aquelas referências que o estimulam, que sentimos uma atenção maior dada a tal ou qual coisa, vinda de dentro. Ex.: “sleepwalking”. House {o seriado}, episódio 2, 5a temporada. Na praia. C/ primos, irmão. {Estamos vendo; estou na mesa atrás.} Me lembrei na hora de “Sleepwalkers”, Hundred in the Hands {é uma banda. Isso aconteceu há alguns minutos}. Eu tenho a música no cell e os fones. {Aqui do meu lado.} Aproveitei o sinal: eu precisava ouvi-la. Meu cérebro ressaltou {o título do episódio do House}. Eu só segui o estímulo. Pq funciona? Pois algo dentro de mim me chamou, daí aquilo {o título} ter me chamado a atenção. É preciso ter atenção a esses momentos, pois são influências, são forças internas, coisas que QUEREM VIR A SER, A SE TORNAR, MAS AINDA NÃO SÃO. É a voz do inconsciente para que alguma ideia se consuma. Algo importante. E te levam ou tocam em coisas importantes.
 
{Finda a música. Desencadeia-se o estado de mania, de hiperestimulação mental. Troco a caneta e pego uma vermelha, eu usava a preta. Prossigo.}
 
(E eis que ocorre…)
 
“Sleepwalking I find myself
follow my, follow my
in all of mine”
 
—> Ou seja: ocorreu exatamente o que acabei de dizer. Meu cérebro indicou algo que confirmasse a própria ideia que ele queria gerar – antes mesmo de escutar a música. Aquela descarga emotiva, aquele júbilo cerrado, aquele desconforto e a vontade irresistível de desenvolver tudo isso, foi justamente para gerar esta ideia. Ao ver o título do episódio do House, fui conduzido a ver/ouvir “Sleepwalkers”, que então gerou a emoção necessária para gerar esta ideia; me estimulando para produzir as as condições psíquicas necessárias, então me conduzindo a ir atrás e escrever. E eu escrevi. E só isso {aparentemete} já bastava. Meu cérebro me conduziu a algo. Tudo bem. Mas há mais! Ao ver que a referência apontada tratava exatamente ao que eu acabara de escrever {a letra de “Sleepwalkers”, falando sobre seguir o interior para descobrir-se no “todo de mim”}, esclareceu-se o que eu mesmo queria, e eu fui o próprio exemplo do que eu mesmo queria transmitir. Eu próprio me fiz de exemplo, sem querer, do processo de pistas inconscientes; e meu cérebro já o indicara desde o princípio, como se, em algum lugar dentro de minha mente, já se sabia que a letra da música iria me esclarecer a ideia das pistas inconscientes – e que, ao fazer, esclareceria parte da lógica da interação entre sensações e pensamento. Ao escutar a música, associou-se o conteúdo da letra com esta ideia que eu já perseguia há muito tempo, assim fazendo-a emergir com estes escritos. Ao ver o título do House, tudo se esclareceu no inconsciente e só restava produzir as sensações e as condições para aflorar à consciência e, enfim, consciente, eu escrever, me utilizando como próprio exemplo.

 

*

 
Em síntese, a letra da música tratava justamente do raciocínio que eu desenvolvi ao seguir a “pista” do episódio do House. O título me levou à música e a música continha uma espécie de pista que acendeu e uniu os pontos necessários dentro de mim e, então, permitiu desenvolver todo o raciocínio, que descrevi logo a seguir de terminar de ouvi-la. E tudo isso correu como se o objetivo final, isto é, a ideia das pistas inconscientes e a descoberta desse processo de antecipação intuitiva de ideias futuras, já estivesse inscrita desde o início logo que vi o título do House. Só segui o fluxo e cheguei onde minha mente queria chegar. E isso aconteceu na prática. A coisa toda, portanto, surgiu de uma forma que o futuro já estava inscrito no presente, num arranjo latente que já apontava para certo curso. Perceba como a ficha começa algo pontualíssimo, banal até, como uma “instrução de docência”, para “estimular a criatividade”, e termina numa síntese parcial de processos cognitivos de interação entre sensações e pensamento. Cogito que o que descrevi seja uma aproximação do mecanismo que confere ordem à nossa experiência no mundo, isto é, à nossa existência em geral. É por isso que somos uma relativa unidade, é por isso que somos um fluxo relativamente coerente de pensamentos, sentimentos e identidade. É o arranjo fugaz de ordem no caos, possível pelo arranjo e capacidades do sistema nervoso e órgãos da mente, que são, por sua vez, uma organização improvável (a geração de ordem) num universo entrópico, que tende ao caos, a partir da organização da matéria bruta. Acredito firmemente que esta lógica de causalidade – o arranjo improvável de elementos que gera uma tendência ou inclinação a ser, isto é, a continuar a ser de determinada forma – reproduz-se em todas as ordens de realidade, quer dizer, da matéria bruta (física) aos fenômenos complexos da mente (o “espírito”). Está tudo integrado; distinto e integrado ao mesmo tempo por uma ordem no caos.
 
Há, por fim, mais uma linha na ficha original, que ocultei e que transcreverei agora; e é meu projeto geral, que ainda não está claro pra mim, embora insista completamente nele. Em vermelho:
 
“[E isto é “libido sciendi”: razão e emoção; subjetivo e objetivo; objetivo e subjetivo; arte e ciência juntos.]”
 
 
Ufa. Menos um em minha lista. Ainda há muitos e preciso registrá-los antes que alguém me atropele na calçada. See ya next time.
 
F.
 
 

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