2 maio 2014. moleque no campinho de futebol

Estou voltando pra casa, virando a esquina da Paraguassu com a Alberto Boliguer. Na esquina adjacente há um campinho com grama artificial, fechado por grades finas entrançadas e coberto por uma rede branca, onde dá-se aulas de futebol. Há pouco movimento no campo; o professor e mais alguns cinco moleques. Seu comportamento sugere que a aula terminou. O professor está na lateral, do lado direito, diante da portinhola que dá acesso ao campinho, e os meninos estão junto dele, em torno dele. Eu não presto atenção neles e só vejo variações enevoadas de dimensões e formas entre os corpos. Há um moleque no centro do campo. Ele está com os braços abertos, olhando pra cima dando voltas em torno de si mesmo. Ele está sorrindo. Os braços giram singrando no espaço formando círculos concêntricos e assimétricos. Ele pronuncia sons indistintos, alguns deles palavras, tomado de uma espontaneidade ritualística, diáfana. Ele para e cai. Chego em casa e vou tocar o doutorado, autoconsciente, necessitado, invejoso.

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